quinta-feira, 28 de junho de 2012

CVM questiona conselho com maioria independente

A presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana, questionou na terça-feira durante o ICGN, congresso internacional de governança corporativa, no Rio, a avaliação clássica de que a melhor prática de mercado é ter um conselho de administração formado, em sua maioria, por conselheiros independentes como forma de proteção aos minoritários. "Os membros independentes são figuras importantes na dinâmica do conselho, devido às atitudes deles em relação à dinâmica da empresa, ao seu ceticismo e, esperamos, independência. Mas a presença no conselho de diretores eleitos por acionistas relevantes, acredito, pode aumentar as chances de que alguém assuma posições de longo prazo (em empresas do mercado brasileiro)", disse.

Para a presidente da CVM, permitir que os acionistas relevantes assumam uma posição mais proeminente no conselho não deveria ser visto de forma negativa. Ao contrário, poderia ser encorajada à medida que uma das dificuldades do mercado brasileiro é atrair investidores com visão de longo prazo e não apenas investidores de alta frequência. Embora a percepção em geral seja de que é mais fácil para conselheiros independentes exercer o papel de supervisionar e cobrar a execução de metas e políticas estratégicas dos administradores, Maria Helena destaca que isso não ocorre em 100% dos casos. "Se é obrigado a reconhecer que nem sempre os conselhos funcionam tão bem. Muitas vezes isso acontece porque as pessoas têm participação em outros conselhos, têm pouca condição de se envolver o suficiente com os assuntos para dar uma contribuição de verdade", disse Maria Helena, que citou o caso da fabricante de produtos para saúde e higiene Cremer.

Exemplo da Cremer: Durante o congresso, o presidente do Conselho de Administração da Cremer, Luiz Spínola, relatou sua decepção com a opção por "medalhões" como conselheiros independentes da companhia. Fundada em 1935, a Cremer teve capital aberto por cerca de 40 anos, até que, em 2004, o fundo de private equity MLGPE, do banco norte-americano Merrill Lynch, comprou o controle da empresa e fechou seu capital. Sob comando do fundo norte-americano, a empresa modernizou e profissionalizou a gestão. Em 2007, a Cremer voltou à Bolsa. Com isso, o Conselho de Administração da companhia foi modificado e quatro conselheiros independentes foram indicados. Um dos problemas que levaram o modelo a dar errado foi a falta de prioridade dos profissionais em relação à empresa. "Eles não tinham tempo", contou Spínola em palestra durante a conferência.

Outro desafio para Cremer é que, após a volta à Bolsa em 2007, 95% do capital da companhia estava em mãos de cerca de 100 acionistas, recordou Spínola. O quadro começou a mudar para melhor, porém, quando um "núcleo duro" de acionistas se reuniu e decidiu atuar para influir na gestão e alterar o conselho. Por isso, Spínola destaca os desafios das companhias com capital pulverizado no País. Segundo ele, no modelo anglo-saxão, foram anos de consolidação, dando tempo para os conselhos se prepararem para gerir empresas "sem dono". "No Brasil, a chegada desse modelo deu-se de forma abrupta", comentou Spínola.

Agência Estado

Apoio aos mineiros de Astúrias na Espanha

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Perspectivas negativas para 2º trimestre impactam Cia.Hering

Decisão do governo em diminuir os incentivos fiscais para as importações deve afetar os ganhos da empresa.

Em meio a instabilidade do Ibovespa, as ações da varejista Cia. Hering lideraram as quedas do pregão desta terça-feira (26/6).

Os papéis ordinários da companhia (HGTX3) recuaram 7,62%, cotados à R$ 37,09.

Para Cauê Pinheiro, analista financeiro da SLW Corretora, as principais causas para a forte baixa das ações seriam as observações feitas pelo relatório do Bank of America Merrill Lynch, elaborado por Melissa Byun, Marcelo Santos e Robert Ford.

De acordo com o relatório divulgado na segunda-feira (25/6), a decisão do governo em diminuir os incentivos fiscais para as importações deve afetar os ganhos da empresa, ou seja, a interrupção de alguns benefícios para a companhia moderaram o entusiasmo dos analistas em relação aos seus papéis.

Com isso, as perspectivas para o resultado do segundo trimestre são desanimadoras. Além disso, a desvalorização da moeda brasileira e a demanda mais fraca contribuem para este panorama.

A equipe de analistas do BofA Merril Lynch tem recomendação "neutra" para as ações da Cia.Hering, com o preço-alvo de R$ 48,00.

Marcelo Ribeiro (mribeiro@brasileconomico.com.br) |

domingo, 24 de junho de 2012

Uniasselvi é vendida para a Kroton Educacional

Kroton compra Grupo Uniasselvi por R$ 510 mi

A Kroton Educacional informou nesta terça-feira que sua subsidiária Editora e Distribuidora Educacional adquiriu 100% do Grupo Uniasselvi, que inclui as mantenedoras das instituições de ensino Centro Universitário Leonardo da Vinci, Faculdade Metropolitana de Blumenau, Faculdade Regional de Timbó, Faculdade do Vale do Itajaí Mirim, Faculdade Metropolitana de Rio do Sul e Faculdade Metropolitana de Guaramirim. A compra foi realizada na segunda-feira.

A Editora pagou 510 milhões de reais pela aquisição, dos quais 335 milhões de reais foram à vista e 175 milhões de reais serão quitados em seis parcelas anuais. A primeira parcela tem vencimento previsto para o dia 28 de maio de 2013 e as seguintes no mesmo dia dos anos imediatamente seguintes. As cinco primeiras parcelas terão o valor principal de 27,5 milhões de reais e a sexta parcela, de 37,5 milhões de reais. As parcelas serão corrigidas anualmente pela variação do CDI.

Caso o faturamento líquido de 2012 do Grupo Uniasselvi supere o patamar de 230 milhões de reais, a Kroton pagará um valor de até 15 milhões de reais. Esse "bônus de performance" alcança a sua totalidade, se o faturamento líquido atingir 260 milhões de reais, sendo o pagamento previsto para ser realizado em 2013. Em 2011, o faturamento líquido registrado do Grupo Uniasselvi foi de 196,3 milhões de reais.

Ainda segundo o fato relevante, o preço de aquisição está sujeito a ajustes bem como compensação contra perdas e passivos, conforme estabelecido no contrato. Ainda de acordo com o comunicado, as sociedades que compõem o Grupo Uniasselvi não possuem endividamento líquido.

O Grupo Uniasselvi é formado pelas sociedades Ítala Participações Ltda., Sociedade Educacional Leonardo da Vinci S.S. Ltda., ASSEVIM - Sociedade Educacional do Vale do Itajaí Mirim Ltda., Instituto Educacional do Alto Vale do Itajaí Ltda., Sociedade Educacional do Vale do Itapocu S.S. Ltda., Sociedade Educacional do Planalto Serrano Ltda., UNIASSELVI - Sociedade de Pós Graduação Ltda., Sociedade Educacional do Vale do Itajaí S.S. Ltda. e Livraria e Editora LDV Ltda.

(Com Agência Estado)




Uniasselvi é vendida para a Kroton Educacional

O Grupo Uniasselvi, com sede em Indaial, foi comprado pela Kroton Educacional. A negociação foi fechada ontem. O valor da negociação foi de R$ 510 milhões.

A Uniasselvi foi criado em 1999 e tem mais de 80 mil alunos, sendo 12 mil de graduação, 60 mil no ensino à distância e cerca de 10 mil na pós-graduação. São seis unidades em Indaial, Blumenau, Timbó, Brusque, Guaramirim e Rio do Sul.

Com a aquisição, a Kroton, com forte atuação em outras regiões do país, chega a mais de 400 mil alunos e entra definitivamente na região Sul. Ano passado, o grupo comprou a Unopar por R$ 1,3 bilhão.

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Kroton compra Uniasselvi por R$ 510 milhões

Kroton Educacional anunciou nesta terça-feira (29)a compra da Uniasselvi, grupo de universidade e faculdades de Santa Catarina, por R$ 510 milhões, ampliando sua carteira de alunos no ensino superior para cerca de 417 mil. Do valor da aquisição, R$ 335 milhões foram pagos à vista, utilizando a posição de caixa da companhia. Os R$ 175 milhões restantes serão abatidos em seis parcelas anuais, e a Kroton pagará ainda um bônus de até R$ 15 milhões se o faturamento líquido da Uniasselvi passar de 230 milhões em 2012. Em 2011, a Uniasselvi teve receitas de R$ 196,3 milhões.

A aquisição é a mais importante da Kroton desde a compra em dezembro da Unopar, no Paraná, por R$ 1,3 bilhão. Em março, o presidente-executivo do grupo educacional, Rodrigo Galindo, afirmou que a empresa previa fazer aquisições pontuais em 2012.

Até março, a Uniasselvi tinha 86,2 mil alunos, sendo 73,7 mil em ensino a distância de graduação e pós-graduação e 12,5 mil de ensino superior presencial. A compra do grupo catarinense inclui as mantenedoras das instituições Centro Universitário Leonardo da Vinci, Faculdade Metropolitana de Blumenau, Faculdade Regional de Timbó, Faculdade do Vale do Itajaí Mirim, Faculdade Metropolitana de Rio do Sul e Faculdade Metropolitana de Guaramirim. “A aquisição promove a entrada da Kroton em uma nova região de atuação no ensino superior presencial, por meio de sete unidades em Santa Catarina, localizadas nos municípios de Blumenau (dois campi), Indaial, Brusque, Timbó, Rio do Sul e Guaramirim”, informou a compradora. O negócio ainda precisa da aprovação das autoridades competentes.

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Sobre a Kroton Educacional

A Kroton Educacional é uma das maiores organizações educacionais privadas do Brasil e atuação no setor há mais de 45 anos, tendo início em 1966. A companhia tem um modelo de negócio abrangente e diferenciado que atende vários segmentos da educação básica à pós-graduação. No ensino superior são oferecidos cursos de graduação e pós-graduação nos formatos presencial e a distância. Na educação básica são fornecidos às escolas associadas o sistema de ensino, que compreende material didático, serviços de treinamento, avaliação e tecnologia educacional, suportados por um robusto modelo pedagógico eficiente.

Com presença nacional, a Kroton Educacional conta hoje com 53 campi no ensino superior, localizados em dez estados brasileiros e em 39 municípios, além de 447 pólos ativos de graduação via EaD. Em 28 de maio de 2012, atendia 411 mil alunos no ensino superior, nas modalidades de ensino presencial e a distância. Além disso, em 31 de março de 2012, atendia cerca de 289 mil alunos na educação básica divididos entre o setor privado, com 810 escolas associadas em todos os estados do Brasil, e o setor público, com atuação em três cidades.

A companhia mantém como investimento social a Fundação Pitágoras, organização sem fins lucrativos, que viabiliza projetos educacionais em instituições públicas e privadas. O objetivo é transferir tecnologia de gestão e capacitar os profissionais para melhorar o desempenho dos alunos da educação infantil e do ensino fundamental.

Mais informações no site www.kroton.com.br

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Setor Têxtil tem seu pior trimestre em 20 Anos

Industriais de São Paulo se juntam aos políticos para cobrar medidas do governo estadual.

O pior resultado da cadeia têxtil e de confecção em um primeiro trimestre, num período de 20 anos, motivou uma reação de representantes do setor no Estado de São Paulo através de cobranças levadas ao governo.

Em relação ao mesmo período do ano passado, a produção têxtil paulista caiu 10,29%, enquanto a redução do setor de vestuário foi de 26,15% nos primeiros três meses deste ano, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e avaliação do Sinditêxtil - o sindicato das tecelagens de São Paulo.

Entidades de classe e a Frente Parlamentar do Setor Têxtil se reuniram ontem com o secretário estadual de Fazenda, Andrea Sandro Calabi, para entregar uma petição em que solicitam nova série de medidas para dar fôlego ao setor.

"Foi uma reunião muito boa e esperançosa. Esperamos um sinal verde do secretário em 20 ou 30 dias", disse o presidente do Sinditec (Sindicato das Indústrias Têxteis de Americana e Região), Fabio Beretta Rossi.

De acordo com ele, a principal reivindicação para as indústrias da RPT (Região do Polo Têxtil) é o aumento do prazo de recolhimento de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de 40 para 90 dias, após o fechamento de cada mês.

Um ofício da Frente Parlamentar encaminhada à Fazenda argumenta que a proposta "não deve acarretar renúncia significativa de arrecadação, uma vez que o mercado têxtil paulista se mostrará mais competitivo, na medida em que o preço se torne mais acessível - e o ICMS é, indiscutivelmente, componente importante do preço".

Ainda de acordo com o documento, baseado no IBGE, o pessoal ocupado na produção, de janeiro a março, recuou 6,07%, na indústria têxtil e 5,41%, no vestuário.

"O secretário reconheceu a importância de manter o setor têxtil vivo aqui no Estado. Esperamos que essa posição influencie na avaliação desses pedidos", comentou o presidente do Sinditêxtil, Alfredo Bonduki.

Ele ainda enfatizou o objetivo de diminuir a evasão de empresas do ramo para fora do Estado e o aumento da competitividade com os produtos estrangeiros.

"Esperamos que o aumento do consumo nos ajude na recuperação do começo de ano ruim", acrescentou.

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Indústria têxtil deve R$ 217 milhões para a Celesc

Setor é o que tem o maior débito com a estatal de energia.

Cinco grandes indústrias têxteis catarinenses, algumas com mais de cem anos de fundação, devem R$ 217 milhões em faturas atrasadas para a Celesc. O setor é o que apresenta as maiores dívidas com a estatal de energia elétrica. As contas de luz deixaram de ser pagas há quatro anos, e um programa foi criado especificamente para tentar resolver a situação.

Nesta quinta, a indústria que tem o maior débito teve a proposta para quitar os R$ 61 milhões devidos à Celesc aceita — a direção da estatal não tem autorização para divulgar o nome dos seus devedores. O acordo prevê a entrega de um terreno em Brusque avaliado em R$ 15 milhões e mais R$ 30 milhões em créditos com a Eletrobras. A alternativa foi analisada e aceita pelo conselho de administração da Celesc em reunião realizada pela manhã.

O terreno pode ser usado para a instalação de uma subestação de energia. Já o crédito oferecido é resultado de uma ação judicial da indústria contra uma taxa cobrada nas tarifas de luz. A têxtil ganhou e o valor desembolsado virou crédito que pode ser usado como dinheiro e será repassado para a estatal.

A falta de pagamento das contas de luz por parte destas cinco empresas começou em 2008, ano de início da crise econômica mundial, surgida a partir da falência do setor imobiliário dos Estados Unidos, revela André Rezende, diretor de Relações com Investidores da estatal. Ele conta que o problema levou o governo catarinense a negociar a situação.

O presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis de Blumenau (Sintex), Ulrich Kuhn, participou da elaboração do projeto e conta que o Estado foi solidário. Mas ele reclama do preço da energia. Lembra que o único país com matriz energética semelhante à do Brasil é o Canadá, e que lá a tarifa é 70% mais barata.

No acordo, ficou determinado que as cinco empresas teriam direito a parcelar as dívidas pelo prazo de 120 meses (10 anos). Houve alívio, mas ainda assim a conta ficou salgada e há quem desembolse R$ 800 mil a cada 30 dias. A facilitação para quitar os débitos também não significa que tudo saiu como o planejado.

Dificuldades financeiras levaram três indústrias a entrarem com pedido de recuperação judicial. Com a adoção deste dispositivo, a dívida deixa de ser paga e é preciso apresentar uma proposta à Celesc. Foi o que ocorreu ontem. As outras duas estão pagando as prestações com a estatal. Mas em um caso está sendo complicado. Em alguns meses, o depósitos não são efetuados na data correta e acumulam duas ou até três parcelas.

Perdas refletidas no balanço
A dívida de energia das indústrias têxteis também virou prejuízo para a Celesc. Por causa das normas contábeis, os valores devidos que a estatal não consegue cobrar são obrigados a serem incluídos no resultado da empresa como perdas, explica André Rezende, diretor de Relações com Investidores da estatal.

Seguindo esta determinação, o balanço do ano passado da Celesc saiu com impacto negativo de R$ 19,5 milhões por causa do atraso no pagamento das indústrias têxteis.

André diz que a soma total de R$ 217 milhões não entra no balanço porque parte está sendo paga e por haver três empresas em recuperação judicial. O diretor lembra que foi outra administração que negociou com as indústrias têxteis, por isso não pode mencionar os motivos que levaram ao parcelamento.

Ele ressalta que o setor responde por 19% do PIB catarinense e a cadeia emprega milhares de pessoas. E argumenta ainda que diante deste cenário a Celesc não pode esquecer seu caráter público. Mas hoje a situação seria diferente porque foram criadas novas regras para negociar dívidas com a estatal. Foi exigida uma garantia, como um imóvel, e o prazo para parcelamento foi reduzido para 36 meses.

O presidente do Sindicato da Indústria Têxtil de Blumenau (Sintex), Ulrich Kuhn, afirma que a situação das cinco empresas não pode ser atribuída à concorrência com os chineses ou à depreciação cambial. Ele declara que esta é a situação de parte do setor e há indústrias saudáveis e rentáveis. Ele justifica que foi uma série de fatores que levou este grupo a esta situação de inadimplência.

Aumento de salário mínimo ameaça competitividade chinesa

O aumento do salário mínimo chinês, decretado pelo governo, deverá estimular mais indústrias a saírem do país em busca de mão de obra mais barata em países do sudeste asiático, segundo preveem analistas ouvidos pela BBC Brasil.
 
O 12º Plano Econômico Quinquenal de Pequim anunciou recentemente um aumento anual de 13% do salário mínimo até 2015 nas províncias chinesas, com o objetivo de garantir a estabilidade social pela diminuição da diferença entre a renda de ricos e pobres. Segundo o Conselho Nacional do Congresso chinês, os 10% mais ricos do país ganham 23 vezes mais do que os 10% mais pobres.

O governo anunciou também o aumento do limite de isenção de Imposto de Renda de 2 mil yuans (R$ 660) para 3,5 mil (R$ 1,155).

Para Tom Miller, da consultoria GK Dragonomics, essa mudança de perfil "já vem ocorrendo há três anos e, em uma década, deveremos ver o fim da China barata", algo que deve afetar o preço das exportações do país e a dinâmica da competitividade global no futuro.

Indústria mais cara
A mudança de filosofia que vem sendo introduzida por Pequim prevê um foco menor no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e mais ênfase a aumento dos benefícios sociais, como seguro de saúde e alongamento da licença maternidade de 90 para 98 dias.

Estima-se que esses acréscimos elevem em 20% o custo de mão de obra. Isso deve ter um impacto negativo na competitividade de produtos fabricados por certos setores da indústria chinesa que, desde a reforma econômica de 1979, vem se notabilizando pela produção em massa a custos baixos.

"Está ficando mais caro produzir na China, porque há mais oportunidades de trabalho", explica Shaun Rein, autor do livro The End of Cheap China (O Fim da China Barata, em tradução livre).

De acordo com Rein, a expansão do setor de serviços acaba elevando gerando nos operários chineses a expectativa de também receber salários mais altos.

Em abril deste ano, a primeira ação coletiva para aumento de salário foi vencida em Dalian, no noroeste da China. Cem mil trabalhadores da indústria de software local assinaram um novo contrato que prevê o aumento dos vencimentos em 6%. O acordo abrange 500 companhias e 70% da mão de obra do setor.

Inflação mundial
Segundo Rein, a iniciativa do governo de elevar o nível salarial do operário tem criado discrepâncias. "Muitos profissionais graduados ganham hoje menos do que um trabalhador da indústria", diz.

Um exemplo é o concorrido posto de catador de lixo em Guangzhou, que oferece salário mensal de 4 mil yuans (R$ 1.320) – enquanto isso, a média de salário de um jovem recém-formado é de cerca de 2,5 mil yuans (R$ 825).

E de acordo com Rein, os efeitos também serão sentidos no exterior, com produtos mais caros. "As mudanças do estilo de crescimento e as políticas governamentais concedendo maiores direitos aos trabalhadores vão criar uma força inflacionária mundial."

Ao mesmo tempo, o desenvolvimento do centro-oeste e do norte da China tem tirado do rico leste centenas de milhares de trabalhadores migrantes, atraídos por novos empregos em províncias centrais mais próximas a suas casas.

Em Guangdong, a estimativa é de que, neste ano, haja um deficit de 800 mil trabalhadores na chamada "indústria barata" - setores de calçados, têxtil e alimentos, conforme o departamento provincial de recursos humanos.

O brasileiro Otávio Oliveira, que trabalha no grupo americano de calçados Camuto, diz que 15% das operações da empresa já saíram de Guangdong para diferentes áreas. "E estamos analisando oportunidades em outros países da Ásia também. Esta é uma tendência irreversível no segmento do calçado", diz Oliveira.

Ele conta ainda que muitos de seus fornecedores perderam funcionários para a indústria eletrônica, que é altamente incentivada por Pequim por ser uma indústria "mais limpa" e que força a especialização da mão de obra. "Por vezes enfrentamos atrasos e problemas de qualidade no nosso produto porque as fábricas simplesmente não conseguem cumprir as datas por não terem funcionários suficientes."

Salário mínimo menor
Com os salários na China crescendo em ritmo duas vezes superior ao do PIB, o país perde competitividade no mercado internacional e, com isso, muitas empresas resolvem levar seus centros de produção para outros países.

Vietnã, Indonésia e Malásia têm a média do salário mínimo 30% inferior à da China, aponta estudo de 2011 da consultoria KPMG.

O documento mostra que os efeitos do aumento do custo de um empregado na China foram maiores para os setores de calçados (que se deslocou para Indonésia, onde as exportações cresceram 42% e chegaram a US$ 1,2 bilhão em 2011); e vestuário e têxtil (movido para Bangladesh, com um crescimento nas exportações de 43%, US$ 18 bilhões).

"Os nossos grandes competidores, em termos de custo de produção, são outros países da Ásia, como Indonésia, Vietnã, Índia, Camboja e, recentemente, América Central", revela Oliveira. "A Camuto ainda consegue crescer 20% o valor anual das exportações graças à transferência de produção do Brasil para China e também ao crescimento da companhia no mercado americano", acrescenta ele.

Competitividade e impacto no Brasil
Outro efeito do encarecimento dos produtos exportados pela China é um possível ambiente mais competitivo para a indústria global.

Mas, para Oliveira, a abertura de fábricas em lugares ainda baratos, como Vietnã e Camboja, dificulta a expansão calçadista brasileira.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), até abril deste ano o Brasil exportou 1,3% a menos de pares em relação a 2011.

Cristiano Korbes, diretor de projetos internacionais da Abicalçados, defende que o futuro da indústria calçadista brasileira está na valorização da moda conceitual do país. "A competição com a China é muito forte, mas temos capacidade de levar aos consumidores não apenas produtos, mas conceito, estilo de vida brasileiro e muita moda 'Made in Brazil'."

Outro ponto a ser desenvolvido no país é a infraestrutura da cadeia industrial: "O Brasil precisa ainda resolver questões de estrutura, logística, e esse esforço a China já fez", aponta Korbes.


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Bonduki enxerga a luz no fim do túnel para o Setor Têxtil

O presidente do Sinditêxtil (Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo), Alfredo Emílio Bonduki, acredita que há uma luz no fim do túnel para o setor têxtil. A esperança é que as salvaguardas para o setor de confecções, a queda na taxa de juros e a desvalorização do câmbio possam dar um fôlego ao segmento que sofre com a concorrêncial desleal com os produtos asiáticos. O dirigente empresarial fez uma análise da conjuntura econômica no Jornal da Notícia, apresentado por Walter Bartels e Edmilson Barbosa, o Magrão.

Importações de vestuário crescem 41,1% até maio, diz Abit

As importações de vestuário cresceram 41,1% em valor nos primeiros cinco meses deste ano em relação ao mesmo período de 2011, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Em toneladas, as importações avançaram 32,5%, na mesma comparação.

De janeiro a maio, houve crescimento de 18,2%, para US$ 2,24 bilhões, no déficit na balança comercial do setor têxtil e de confecção (excluída a fibra de algodão), na comparação com um ano antes. As importações avançaram 11,9% e somaram US$ 2,75 bilhões, enquanto as exportações tiveram queda de 12,2%, para US$ 512 milhões.

Na sexta-feira, foi anunciada a alteração da margem de preferência de compras governamentais, anteriormente fixada em 8% pelo governo federal, para 20%. Empresários do setor esperam que a "competição desleal" entre produtos importados e fabricados nas licitações públicas seja reduzida, diz a Abit. "Com a nova margem de preferência, poderemos competir de forma mais equilibrada com os produtores asiáticos", afirma Aguinaldo Diniz Filho, presidente da Abit.

Segundo Diniz, os exportadores chineses contam com 27 tipos de incentivos para baratear o seu preço. "É preciso mudanças contínuas e profundas nas estruturas de produção. As medidas anunciadas pelo governo há alguns dias mostram uma sensível preocupação com a desindustrialização e redução dos empregos no País, mas ainda não são suficientes", afirma.

Segundo o IBGE, de janeiro a abril de 2012, a produção da indústria têxtil recuou 7,6%, enquanto o segmento de vestuário teve queda de 13,5%. Já o varejo teve um desempenho positivo de 0,4%. Esse crescimento foi abastecido pelo alto volume de produtos importados, afirma a Abit.

No mesmo período, o setor têxtil e de confecções gerou 11.692 novos postos de trabalho, 70% menos que no mesmo período do ano passado, quando foram criadas 16.536 vagas.

Do início do ano até o hoje, o "Importômetro", da Abit, registra a soma de R$ 3,13 bilhões em importações no setor. "O número mostra que mais de 352 mil postos de trabalhos deixaram de ser gerados", afirma a entidade.

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Violência fecha 300 fábricas de roupas em Bangladesh

DHAKA, 16 Jun (Reuters) - Donos de 300 fábricas de roupas em Bangladesh fecharam suas portas indefinidamente neste sábado, após dias de protestos salariais violentos por trabalhadores, ameaçando a maior exportação do país, já impactada pela crise global.

A decisão de fechar todas as fábricas em Ashulia, uma das principais zonas industriais do país na periferia de Dhaka, ocorreu depois de as negociações entre trabalhadores e proprietários não conseguirem romper o impasse.

"Fomos obrigados a fechar todas as nossas fábricas em Ashulia", disse Mohammad Shafiul Islam, presidente da Associação de Fabricantes e Exportadores de Vestuário de Bangladesh.

"Tentamos resolver a questão (de aumento salarial e outros benefícios) amigavelmente através de discussões, mas os esforços não deram resultados", disse ele em coletiva de imprensa.

Testemunhas disseram que a polícia disparou gás lacrimogêneo e balas de borracha e usou canhões de água para dispersar os trabalhadores durante cinco dias de confrontos. Cerca de 250 pessoas, incluindo policiais foram feridas e ativistas depredaram dezenas de veículos e barricaram uma importante estrada.

"Tivemos que tomar medidas duras para restaurar a ordem, já que os trabalhadores não iria parariam a violência", disse um policial de Ashulia.

Os trabalhadores estão exigindo salários mais altos após um aumento nos preços dos alimentos e de utilidade. Após violentos protestos em 2010, Bangladesh quase dobrou o salário mínimo para milhões de trabalhadores do setor de vestuário para 3 mil taka (37 dólares) por mês.

No sábado, autoridades reforçaram o policiamento em Ashulia temendo que as fábricas fechadas pudessem ser atacadas e vandalizadas pelos trabalhadores.

(Reportagem de Anis Ahmed e Ruma Paul)

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Importação de têxteis sobe 12,2%

Entre janeiro e maio de 2012, o déficit da balança comercial do setor têxtil e de confecção do Brasil cresceu 18,2% (excluída a fibra de algodão), acumulando um saldo negativo de US$ 2,24 bilhões, na comparação com igual período do ano passado. O resultado ocorreu devido ao decréscimos das exportações, com queda de 12,2%, totalizando US$ 512 milhões no período, e à expansão das importações, que cresceram 11,9%, somando US$ 2,75 bilhões. Vale destacar que somente as importações de vestuário cresceram 41,1% em valor e 32,5% em toneladas.

As informações foram divulgadas ontem pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Segundo a entidade, a importações acumuladas desde janeiro até ontem já eram superiores a R$ 3,133 bilhões, número que, de acordo com o "Importômetro" da Abit, mostra que mais de 352 mil postos de trabalhos deixaram de ser gerados setor brasileiro.

Entre janeiro e abril de 2012, o setor têxtil e de confecção registrou a geração de 11.692 novos postos de trabalho, 70% menos que no mesmo período do ano passado quando já haviam sido criadas 16.536 vagas.

A produção física dos setor também tem sido afetada, registrando recuo de 7,59% entre janeiro e abril deste ano, na comparação com igual período de 2011, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Somente em vestuário, a queda na produção foi de 13,49% no período. Já o varejo, teve cresceu 0,45%, expansão abastecida pelo alto volume de produtos importados.

Medidas
A fim de restabelecer a competitividade da indústria têxtil brasileira, o governo federal anunciou, na semana passada, a ampliação da margem de preferência de compras governamentais, que passou de 8% para 20%.

"Com a nova margem de preferência, poderemos competir de forma mais equilibrada com os produtores asiáticos. Neste sentido, podemos citar o caso dos exportadores chineses que contam com 27 tipos de incentivos para baratear ainda mais o preço. É preciso mudanças contínuas e profundas nas estruturas de produção. As medidas anunciadas pelo governo há alguns dias, mostram uma sensível preocupação com a desindustrialização e redução dos empregos no País, mas ainda não são suficientes", explica o presidente da Abrit, Aguinaldo Diniz Filho.

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segunda-feira, 18 de junho de 2012

sábado, 16 de junho de 2012

Diminui procura por imóveis em Blumenau

Endividados, consumidores estão receosos em assumir financiamentos

Depois de praticamente três anos de bonança, o mercado imobiliário está retornando aos padrões de ritmo de venda que ocorriam antes da crise econômica de 2008. Após a facilitação do crédito e os incentivos do governo ao consumo, em 2012 o mercado desacelerou.

Com boa parte do orçamento doméstico comprometido, os consumidores estão mais cautelosos e exigentes com as novas aquisições. Para especialistas, a corrida pela compra de imóveis começou já com os dias contados, e eles findaram.

Em Blumenau e no Médio Vale as vendas de imóveis continuam ocorrendo, mas com menos força, avalia Soraia Vasselai, delegada regional de Blumenau do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado de SC (Sindimóveis - SC). Soraia explica que a euforia vivida nos últimos três anos cessou. O que ocorre agora é que o patamar de vendas deve ficar próximo ao que se tinha até meados de 2008.

As construções e lançamentos não foram estancados, mas as construtoras estão buscando diferenciais nas novas obras, procurando nichos de mercado e tendo atenção a detalhes que podem comprometer a comercialização do empreendimento, como a vizinhança.

Outro fator que afeta o mercado regional é o fim do Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço (FGTS). Com o dinheiro liberado para várias cidades em 2008 e novamente em setembro de 2011, muita gente teve um acréscimo no orçamento que não esperava, aproveitou para dar entrada para a compra da casa própria e financiou o saldo, avalia Rogério Isnar Patrício, presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis e dos Condomínios Residenciais e Comerciais de Blumenau e região (Secovi Blumenau).

Em 2010, com a procura por imóveis muito acima da média dos anos anteriores, os mais experientes desconfiaram de tanta bonança. Marcelo Silveira, diretor comercial da construtora Frechal, acredita que a procura provocada pelo incentivo ao consumo teve um fim basicamente eleitoral, baseado na economia artificialmente inflada. O desafio foi analisar o mercado e preparar-se para aguentar a ressaca prevista após a euforia. É o que ocorre agora. Apesar disso, a estratégia é continuar com lançamentos e manter a musculatura da empresa forte. Sobre o futuro próximo, não há certezas.

A mesma opinião é compartilha por José Airton Bendini, proprietário da imobiliária Habitação e responsável pelo departamento comercial da construtora Speranzini.  

Caixa registra crescimento nos financiamentos

A desaceleração do ritmo da economia que tem afetado, entre outros mercados, o de imóveis, não está sendo sentida no principal agenciador de financiamentos de imóveis do país, afirma o superintendente regional da Caixa Econômica Federal, Renato Scalabrin.

No Vale do Itajaí, de janeiro a 15 de maio, a Caixa teve contratados R$ 332,7 milhões em financiamentos habitacionais - incluindo compra de material de construção. O número é 46% maior em relação ao mesmo período do ano passado. Scalabrin avalia que três fatores estão influenciando o resultado. O principal é o fato das construtoras estarem abrindo mão do financiamento próprio para oferecer por meio da Caixa. Depois, as trocas de casas e apartamentos e as recentes aquisições pela Caixa de imóveis comerciais.

O superintendente reconhece que o mercado passa por mudanças e que as empresas precisam ter mais cautela ao lançar novos edifícios residenciais. Este ano, nacionalmente a Caixa pretende atingir R$ 96 bilhões em crédito imobiliário. O anúncio na semana passada do aumento de 30 para 35 anos para quitação de financiamento imobiliário faz parte da estratégia de avanço nesse mercado.

No departamento de Análise de Projetos da prefeitura de Blumenau, o volume de trabalho continua intenso em 2012.

- As construtoras estão avançando para as regiões da Velha e Itoupava Norte. Também ainda temos alguns projetos que precisaram de alterações após o novo Plano Diretor. E isso atrasou por causa da liminar da Justiça que suspendeu as análises por um tempo. Por isso acredito que ainda tenhamos uma certa demanda desses projetos, mas não muita coisa - explica Roger Danilo Schreiber, Diretor de Análise de Projetos da prefeitura de Blumenau.

Entre janeiro e maio a prefeitura de Blumenau autorizou a construção de 128 novos prédios residenciais. Em todo o ano passado foram liberados 348 edifícios para moradia.

JORNAL DE SANTA CATARINA