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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Têxteis centenárias enfrentam desafios para manter negócios

Uma fábrica de tecidos fechou as portas após 121 anos de história. Enquanto isso, outra indústria de 132 anos dobrou nos últimos cinco anos.


Cristiano Anunciação
Do G1 SC

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Sede de mais de 1,5 mil indústrias têxteis, Brusque quer reinventar sua economia

Cidade busca por novas oportunidades e tenta atrair novos negócios

Sede de mais de 1,5 mil indústrias têxteis, Brusque está em busca de novas oportunidades econômicas. Depois de ver quatro tradicionais empresas do setor têxtil passarem por processos de recuperação judicial nos últimos anos, empresários e poder público tentam atrair novos negócios para a cidade, focando investimentos na área de tecnologia da informação.

— Estamos oferecendo facilidades às empresas que quiserem se instalar em Brusque. Mapeamos uma área na zona industrial para destinar ao setor e estamos trabalhando para desenvolver a indústria da tecnologia como uma terceira via econômica para o município — conta o secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Jorge Ramos.

A indústria têxtil ainda é a maior fonte de riquezas na cidade de 107 mil habitantes, responsável por quase 45% do PIB brusquense.

Ramos lembra que, apesar dos problemas enfrentados nos últimos anos, a economia local não sofreu tanto os impactos das crises nas grandes empresas têxteis porque o mercado é competitivo, com várias malharias e fábricas de menor porte instaladas na cidade.

— Há muitas micro e pequenas empresas absorvendo a mão de obra, e sermos reconhecidos como um centro de compras ajuda nos negócios locais — afirma.

Os centros comerciais espalhados pela Rodovia Antônio Heil, principal acesso à cidade, são uma prova de como Brusque têm aproveitado sua fama. O empresário Newton Crespi, o Cisso, comanda há 22 anos o primeiro centro de compras criado no município, a FIP. Segundo ele, o setor aposta no turismo de compras, mas precisa se renovar.

— Hoje, nosso maior desafio é nos adequar aos diferentes tipos de clientes. Atendemos desde o lojista que procura preços bons à família que está passando o verão nas praias e tira um dia para fazer compras — conta Cisso.

Um exemplo de sucesso nascido e criado em Brusque é a loja de departamentos Havan, em forte processo de expansão. Até o final do ano, a empresa terá inaugurado 50 lojas em SC, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. A meta é chegar a 100 lojas até 2015.

DIÁRIO CATARINENSE

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Schlösser Apela para Recuperação Judicial

Fonte:|valoronline.com.br|
Depois de anos consecutivos operando com resultados negativos, a Companhia Industrial Schlösser, fabricante de tecidos instalada na cidade de Brusque, em Santa Catarina, decidiu entrar com pedido de recuperação judicial anteontem.

A empresa é a segunda indústria do setor da cidade de Brusque, uma das regiões mais tradicionais na fabricação têxtil, a recorrer à recuperação judicial. A primeira foi indústria Jovitex, que apresentou o pedido de recuperação judicial em março.

Segundo o advogado da Schlösser Guilherme Caprara, sócio do escritório Sergio Müller, a expectativa é que o pedido seja deferido pela Justiça entre hoje e segunda-feira.

"A empresa viu um meio de propiciar a busca de capitalização para, eventualmente, continuar o negócio de maneira mais enxuta até vender ativos, como imóveis, e retomar a atividade."

A fábrica da Schlösser, que produz tecidos para camisaria e confecções, estava paralisada desde dezembro. Naquele mês, a empresa concedeu férias coletivas para os cerca de 450 funcionários.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Fiação e Tecelagem de Brusque, cerca de 256 funcionários entraram em acordo com a empresa para rescisão de contrato sem justa causa em 1º de março. Outros 130 optaram por permanecer em período de licença remunerada, na expectativa de que a empresa retomasse a produção.

Entre as indústrias têxteis listadas em bolsa, a Schlösser registou o pior desempenho neste ano, com queda de 33%.

A empresa apurou prejuízo líquido de R$ 26,1 milhões em 2010 e acumula uma dívida de R$ 130 milhões. Cerca de 50% refere-se a tributos não recolhidos.

De acordo com um executivo ligado à operação, a situação da empresa foi se deteriorando nos últimos anos, sobretudo com o aumento da concorrência e dos produtos importados da China, mais baratos que os fabricados pelas indústrias nacionais.

"A Schlösser não se reestruturou para enfrentar a concorrência e passou a ter problemas de caixa para toca os negócios", diz a fonte.

Os altos preços do algodão praticamente tiraram o fôlego que restava da Schlösser para manter as atividades. Desde o início do ano passado, o preço subiu de US$ 0,70 centavos por libra-peso para US$ 2 por libra-peso.

A alta também afetou outras empresas do setor. A fabricante de itens de toalhas e roupa de cama Buettner, de Brusque, mantém parte dos trabalhadores da unidade de fiação em licença.

Segundo João Henrique Marchewsky, presidente da companhia, os preços do algodão ainda dificultam o abastecimento da matéria-prima. "Estamos tocando mais devagar a produção até que a situação se normalize", diz.

A Buettner tem cerca de 950 funcionários e desde o começo do ano vem concedendo férias e licenças aos trabalhadores como uma maneira de equilibrar a situação provocada pela alta do algodão.

Segundo Marchewsky, a expectativa é que a situação se normalize a partir de maio. Conforme os dados mais recentes informados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Buettner acumula prejuízo de R$ 24,4 milhões nos primeiros nove meses de 2010, ante um prejuízo de R$ 22,9 milhões no período anterior.

A Springs, do grupo Coteminas, a maior indústria têxtil do Brasil, também sentiu o impacto do aumento do algodão. A empresa registrou prejuízo de R$ 18,4 milhões em 2010. "Não fosse o algodão, o resultado teria sido melhor", diz Felipe Claudino, sócio do fundo de investimento Leblon Equities, dono de 3,49% da Springs.


(Colaborou Júlia Pitthan, de Florianópolis)
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